sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Cada pessoa que passa...

"Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso."
Charles Chaplin


Essa frase é especialmente para uma pessoa que está mudando meus dias e me fazendo descobrir coisas maravilhosas. O meu post pra ela será maior e mais intenso. Hoje foi só pra externalizar um pouco do que estou sentindo!
Abç... Patrícia.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Quanto vale um valor?

Já escrevo há um tempo, e escrevendo sempre percebi o quanto nos sentimos aliviados dos sentimentos e angústias que carregamos. Quando comecei a fazer os estágios, isso se tornou ainda mais visível, sendo que uma querida supervisora sempre disse que isso iria nos ajudar, e com isso iríamos "clarear" algumas coisas em nossa cabeça.
E hoje, num dia com tantas coisas na cabeça, resolvi escrever pra mandar alguns monstros embora, nem que seja temporariamente. Gosto deste espaço porque ele pra mim é muito ambivalente: faço dele um diário, falo de minhas análises, dos meus gostos, dou dicas também de algumas coisas que acho legais, enfim, me tem um valor muito grande. Aliás, valor. Essa é uma das palavras que me traz aqui hoje.
Ainda questiono alguns valores, mas não falarei hoje de forma geral, vou me reter mais na questão individual neste momento (ou pelo menos tentar). O que são, ou o que significam os valores que carregamos conosco em nossa vida?

Devido a algumas, ou várias, experiências recentes, fico me questionando até que ponto os valores que carrego me servem pra alguma coisa. Percebo que muitas vezes me torno ou ajo de uma maneira que não sou pelo simples fato de acreditar que aquela seria a maneira mais correta. É um valor que carrego sobre isto, ou aquilo. Todos nós em algum momento, ou em vários, agimos da maneira que não somos apenas em troca de uma aprovação, alheia lógico. E assim nos esquecemos de nos aprovarmos, e o nosso "eu" acaba sendo aquele que menos aprova o que você faz ou deixa de fazer, pois você esqueceu-se dele.
E que vazio é esse que nos tornamos a partir do momento que vivemos para o outro? Que vida é essa que não olha para dentro e não deixa externalizar aquilo que realmente queríamos pôr pra fora? Que recalque tão absurdo é esse?
A única coisa que consigo afirmar nesse momento é que o sentimento de angústia é muito grande. Esse sentimento vem carregado da sensação de vazio, e o vazio é uma das piores coisas as quais sentimos e constatamos. O que se faz com o vazio? No vazio não sabemos quem somos ou pra onde vamos, mas é engraçado que é o vazio que vai nos mover e nos mostrar que devemos mudar a rota e o olhar.

Minha maior queixa nesse momento é a angústia. Por que o olhar para si se torna tão difícil? Sinto um grande incômodo quando percebo que as pessoas ao meu redor acreditam mais no meu potencial do que eu mesma, simplesmente pelo fato de eu estar preocupada em como eu deveria me portar perante outras pessoas, ou seja, como devo agir a partir daquilo que ela espera que eu seja ou faça, esquecendo-me daquilo que já sou. Esse conflito não parece, mas é muito grande. A pressão externa se converte internamente e toma proporções da qual nunca imaginávamos.
Mas desse jeito, quando sou eu de verdade?
Em alguns momentos me pergunto qual a veracidade das palavras ou dos atos que concretizo, e até que ponto eu realmente desejei aquilo que fiz. Nos submetemos à coisas que realmente não queremos, apenas para ser "aprovado" por outros. Mas, engano nosso. Mesmo tentando ser aquilo que não somos, seremos repelidos.

Não estou me sentindo no lugar. É como se alguém tivesse vindo e me tirado de mim. Não me sinto dentro do corpo algumas vezes, tirando o fato de escrever e falar sobre aquilo que sinto. E por isso a escrita é uma amiga que ainda caminha junto comigo, mesmo nos caminhos perdidos.
Sinto raiva de quem me tirou do lugar, mas quando olho, percebo que eu mesma me tirei. Mas por que e pra quem? Quem merece estar mais no meu lugar do que eu mesma?
As pessoas ao nosso redor não são merecedoras do nosso viver, nem das nossas emoções e sentimentos. Ninguém irá sentir aquilo que você está sentindo, e você nunca será perfeito aos olhos de ninguém, então, pra que tanto esforço? Seja bom e suficiente pra você, deixe alguns valores de lado, pois eles visam mais aquilo que o outro está pensando, do que aquilo o que você está sentindo.
E se nós não sentirmos, como é possível a vida?
Termino com essa pergunta, que pra mim foi mais um insight, do que uma questão em si.

Não se vive a vida assim. Se vive sentindo, e sem a preocupação de como será o viver.
Abç... Patrícia.

(A foto é apenas uma imagem de uma paisagem que me traz paz. Não achei necessário outro significado.)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Maldito Futebol Clube

(Texto publicado originalmente no extinto blog "Zine Pasárgada")

Um filme para quem gosta de futebol!


Michael Sheen vive o controverso técnico britânico Brian Clough nesta trama ambientada entre o fim dos anos 60 e começo dos 70. Após conseguir colocar o time de segunda divisão Derby County no patamar dos grandes da Inglaterra, o técnico é convidado para treinar o rico e difícil clube Leeds United, substituindo seu arqui-rival, Don Revie (Colm Meaney), que acabara de ser convocado para comandar a seleção inglesa. Clough não conta mais com os conselhos de seu amigo de longa data e auxiliar técnico Peter Taylor (Timothy Spall) e assume uma difícil tarefa: comandar um time totalmente fiel ao seu antigo treinador e que, para piorar, acaba de ser esculachado pelo próprio Brian Clough em uma entrevista. A narrativa do filme costura o passado do técnico e sua campanha de vitórias ao lado de Peter Taylor com a sua ligeira experiência à frente do Leeds United. Clough fica no Leeds por apenas 44 dias, onde é despedido por seu trabalho sem sucesso.

 

Não conhecia esta história, e o mais legal é quando você acha que Clough acaba derrotado no fim de sua carreira, mas descobre a história maravilhosa que construiu depois! E também a bonita amizade entre o técnico e seu amigo Peter, que terá seus desentendimentos e reconciliação.
A ambição também toma conta do drama, contando a história de um técnico que assume um time por uma vingança pessoal.
Pra quem gosta de futebol, vai gostar também desse filme. O elenco é espetacular!
O charme inglês também é encantador! (rs)

Maldito Futebol Clube (The Damned United – 2009)
Direção: Tom Hooper
Roteiro: Peter Morgan baseado em livro de David Peace
Elenco: Michael Sheen, Timothy Spall, Colm Meaney, Mark Bazeley, e Jim Broadbent

Abç... Patrícia.

domingo, 18 de setembro de 2011

Sexo é para vira-latas

"(...) Mas quero resumir aqui, para o próprio Gilson Amado, as minhas objeções contra a educação sexual. Antes de mais nada, ela desumaniza o homem e desumaniza o sexo. No dia em que o sujeito perder a infinita complexidade do amor, cairá automaticamente de quatro, para sempre. Sexo como tal, e estritamente sexo, vale para os gatos de telhado e os vira-latas de portão. Ao passo que no homem o sexo é amor. Envergonha-me estar repetindo o óbvio. O homem começou a própria desumanização quando separou o sexo do amor. Um dia farei um teste com o admirável Gilson Amado. Iremos para uma esquina. E ele verá que todos passam de cara amarrada, exalando a mesma e cava depressão. São as vítimas do sexo sem amor. Tão simples enxergar o óbvio ululante. Devia ser não educação sexual, mas educação para o amor, simplesmente para o amor. E o homem talvez aprendesse a amar eternamente."
Nelson Rodrigues em "Sexo é para vira-latas" (21/04/1970)

Após ouvir esse trecho ontem, na peça "As noivas de Nelson" (adaptação de "A vida como ela é...", por sinal muuuito boa!) fiquei pensando sobre isso. 
O sexo sem amor seria apenas a consequência do instinto? Então, voltamos à condição de animais, e deixamos de lado nossa capacidade de amar.
Do mesmo jeito que ouvi e refleti, coloquei o trecho aqui, para alguém também ler e refletir. Afinal, por essa capacidade ainda somos privilegiados.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

As Brasas

Terminei de ler essa semana o livro "As Brasas", conforme a indicação de minha supervisora de Psicanálise. O livro contra a história de um general (Henrik) que espera há quarenta um anos a volta de um grande amigo de infância (Konrad) para descobrir qual foi o motivo que o fez partir sem se despedir.
A amizade, que mais se parecia uma irmandade, é mostrada como uma fundição entre as personagens. Porém, a história é toda contada a partir do ponto de vista de Henrik, um homem de família rica e nobre que não aceita a ideia de ter sido abandonado.
Um ego completamente narcísico, que fica cada mais vez evidente a partir das coisas que diz ao amigo. Crê que Konrad tinha grande inveja de sua vida, onde podemos até sentir seu ar arrogante.
A partir de um momento o livro estabelece um monólogo, o qual nos enche de ansiedade.
Com a história, vamos percebendo que a dor não se constitui numa saudade daquele partiu e o qual sentimos falta, mas sim, da dor narcísica de se sentir tão bom e suficiente para alguém e ter sido deixado para trás.


Sinopse
"Viveram lado a lado desde o primeiro instante, como gêmeos do útero materno. Não precisaram fazer pactos de amizade como costumam fazer os garotos dessa idade, que se lançam com paixão e ostentação a rituais ridículos e solenes, dessa forma inconsciente e grotesca com que o desejo se manifesta entre os homens, quando decidem pela primeira vez arrancar do resto do mundo o corpo e a alma de outra pessoa para possuí-la com exclusividade. O sentido do amor e da amizade estava todo ali. A amizade deles era séria e silenciosa como todos os grandes sentimentos destinados a durar uma vida inteira. E como todos os grandes sentimentos, também continha certa dose de pudor e de culpa. Ninguém pode se apropriar impunemente de uma pessoa, subtraindo-a de todas as outras."

Eu realmente me questiono se a relação estabelecida entre eles poderia ser chamada de "amizade". O final dá sinopse já nos mostra que esse questionamento pode ser levantado. Mas, nada como ler o livro para ver qual a percepção de cada um.
Abç... Patrícia.

Informações sobre o livro:
Título: As Brasas
Autor: Sándor Márai
Páginas: 172
Editora: Companhia das Letras

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Relembrar o fato ou a dor?

(Texto publicado originalmente no extinto blog "Zine Pasárgada)


Eu imagino que a maioria já esteja um pouco enfadada a ouvir ou ler coisas a respeito dos 10 anos do atentado às torres gêmeas, ocorrido em 11/09/2001. E com certeza ainda iremos ver muito sobre esse dia, devido ao grande patriotismo e a grande dor do povo norte-americano.
Porém, assistindo todas as homenagens que foram feitas não só no país, mas ao redor do mundo e também de ver a dor da lembrança para aqueles que ficaram, me fiz a seguinte pergunta: Isso se consiste em relembrar o fato ou a dor?

Algumas coisas acabam sendo um pouco contraditórias na nossa atualidade. A morte que é um destino a qual ninguém pode fugir, acaba sendo tratada de formas diferentes. Hoje podemos todos perceber, o quanto as pessoas possuem o medo da velhice, a não-aceitação dessa fase natural da vida e o "medo" das mudanças que ela carrega, e estão fugindo cada vez mais fisica e psiquicamente, se escondendo atrás de fórmulas estéticas fantásticas, que transformam uma senhora de 60 anos em uma mulher de 40. E isso é cada vez mais normal no nosso mundo, onde as pessoas enxergam este fato como um culto à beleza, ao estar e se sentir bem. Porém, isso acarreta num sentimento jovem que faz a pessoa continuar negando seus 60 anos de idade. Essa busca desenfreada pela juventude e a negação do envelhecimento, se camuflou como busca apenas da beleza. E isso faz com que nos convençamos mesmo que só estamos indo atrás disso. Mas envelhecer significa estar se aproximando da morte, e o homem desaprendeu a lidar com ela. A medicina (salvo muitos casos) também está ai para nos mostrar isso.
Após esse fato cada vez mais crescente de distanciamento que estamos estabelecendo com a morte, enganando nós mesmos que sempre teremos nossos 20 e poucos anos, pensei após tantos anos vendo a dor dos familiares e amigos e a grande homenagem às vitimas do 11 de setembro, o quanto o ser humano está entrando em contato com estas mortes. É aí que entra a posição contraditória que mencionei. Ele foge mas busca a dor que ela traz, ao mesmo tempo, e sem perceber.
Há quantos anos vemos todas as vítimas sendo lembradas e choradas?
Acredito que o fato deva sim ser lembrado por muito tempo, assim como temos a história e a memória de grandes acontecimentos mundiais. Mas será que é o fato que está sendo lembrado até agora ou a dor dessas pessoas? Uma dor que parece nunca ter fim. Um luto que NÃO quer ser elaborado, e que é relembrado todos os anos.
Algumas questões realmente me intrigam. A dificuldade de aceitação e de relação com a morte está aí: fugimos dela porque não a queremos, não a suportamos, mas quando ela chega, não nos conformamos e acabamos entrando sempre em contato com a dor que ela proporciona. E nisso se encontra a grande dificuldade do ser humano em aceitar e lidar com a morte.

A cada oportunidade que tenho de pensar sobre como o ser humano se relaciona com esta questão, fico mais intrigada. Por que precisa essa "não-aceitação" significar uma dor incessante?

Não estou questionando o fato do atentado, pois isto entraria em questões políticas que fogem ao meu alcance, mas penso na dor que é constantemente lembrada, sentida e cutucada, não permitindo então que sofrimento e angustia possam se libertar para que cada um possa seguir sua vida em frente, diminuindo talvez esse peso que carrega há tantos anos.
Ouvi na TV esses dias a triste comparação da cascata que construíram no lugar das torres com as lágrimas incessantes dos que ficaram. Que triste vida será essa? O quanto dói carregar este sofrimento?


Acredito, na minha concepção, que o fato deve ser lembrado, tanto pelo fato histórico e TAMBÉM pelas pessoas inocentes que morreram nesta data. Mas a dor das pessoas e este luto eterno, definitivamente, não irão mudar o mundo. A indignação não significa ação.
E termino também, com outro questionamento: Será que mostrar ao mundo um fato tão triste enfatizando o sofrimento causado, para que ele não aconteça novamente, irá realmente fazer o homem deixar de lado sua ambição e lembrar da existência do outro?

E o luto sempre fica, sem elaboração alguma, e sem acharmos que precisamos disso.
Abç... Patrícia

domingo, 11 de setembro de 2011

O que não parece ser



"Os homens deviam ser o que parecem ou, pelo menos, não parecerem o que não são."

William Shakespeare




Se o homem não mostra, a vida vai mostrar...

sábado, 10 de setembro de 2011

Conversa com o amor



Estava o amor ali, sentado, esperando a hora passar e a tristeza chegar ao fim. Que triste são os amores não correspondidos, abandonados e solitários.
As horas se passavam como todos ali que também andavam, e viram o amor sentado à beira da luz do cair da tarde, onde nada se tornava diferente. O amor tomava a forma de uma mulher bonita, de cabelos castanhos, olhos cor de mel, num corpo robusto com um rosto rosado. E lá o amor ficava, sem saber pra onde ir ou qual direção tomar nessa vida.
Todos os sentimentos passaram à sua frente, e deixaram para ele apenas lembranças e palavras, mas que nada puderam mudar. 
Primeiro passou a solidão que sentou e quis ficar. Tomou um grande tempo e fez as coisas se tornarem cada vez mais perdidas e tristes. A solidão não quis embora, mesmo quando foi solicitado. Sempre foi teimosa, cheia de tempo disponível para ficar na vida das pessoas e sempre inesperada. E ali ela sentou, ao lado da moça bonita e ficou em silêncio, mas seu silêncio bastava, como se proferisse tantas palavras angustiantes que traziam a dor. A solidão nunca precisou falar, sempre foi muda, mas sempre significou um turbilhão de palavras. E assim, a moça chorou e lembrou.
Logo após veio a incerteza. Não sabia se sentava ou se ia embora, se falava alguma coisa ou se respeitava o silêncio da moça. Mas resolveu sentar por alguns instantes ao lado dela, e a relembrou de tantos fatos, os quais ela nunca obterá respostas. E ali ficou por alguns minutos conversando com o amor, sempre mostrando as possibilidades de caminhos, como tudo era incerto e como o amor deveria ser desconfiado. Mas chegou a hora de partir, pois não tinha certeza se estava sendo escutada, e se foi. O silêncio voltou e a moça pensou naquilo que não deveria pensar.
A traição sabia onde o amor estava, e também quis se sentar alguns minutos. O amor foi hesitante no começo mas a traição soube como manipulá-lo, soube falar as palavras mais bonitas, as promessas mais encantadoras e jurou dar-lhe o mundo todo. E o amor sempre acreditou, sempre quis tudo isto. Mas a traição logo se foi, deixando a moça ali, esperando todas as coisas prometidas e todas as sensações oferecidas. Alguma coisa que passou atraiu sua atenção, e ela logo foi atrás como sempre fez, desfazendo os sonhos que gerou no amor. E a moça logo se tomou de tristeza pois foi mais uma vez traída.
Em seguida a distância passou, mas quis falar de longe. Lembrou o quanto ficar longe do outro dificulta as relações. O amor se levantou, quis chegar mais perto, mas ela logo recuou pois não havia a possibilidade dessa aproximação. Embora o amor soubesse que para ser feliz, deveria estar junto daquilo que mais se afastava dele, mas não conseguiu. E depois de algumas palavras faladas ao longe, a distância foi embora, pois não queria estar próxima à ele. E a moça sentiu um vazio no peito, como quando perdemos algo e não sabemos onde deixamos.
A felicidade veio logo atrás. Chegou cheia de vida, na forma de um sorriso e quis sentar bem perto. Mostrou todas as coisas bonitas que tinham no jardim que os cercava, e como a vida era cheia de caminhos que podiam trazer a felicidade. O amor logo se encheu de alegria e viu que havia chances para ele, que a vida poderia ser além daquilo que vivia e que toda sua história poderia ser diferente e com um final feliz. Mas a moça lembrou de todas as outras passagens, e pôs-se a perguntar quem estava certo.
A esperança chegou radiante, mostrou-lhe que tudo pode mudar, que as coisas e as pessoas possuem seus ciclos, e nada é determinado nessa vida ao ponto de desistirmos. Contou fatos bonitos e importantes de amores que mudaram e que puderam ser felizes. A moça voltou a acreditar em seu coração, e o amor disse à ela que deveriam seguir em frente, mesmo com tantos tropeços.
A paixão passou, mostrou ao amor que tudo era crédito seu. Lembrou das coisas bonitas por ela vividas, dos sentimentos entorpecentes que proporcionou, das horas perdidas numa tarde de sol, das alegrias com um simples olhar, dos suspiros constantes ao longo dos dias e de como tudo se transformou em colorido. A paixão lembrou ao amor as coisas bonitas as quais ele havia se esquecido, mostrou o outro lado de alguém que descobrimos no início, as qualidades que ainda possuímos mas que esquecemos ao longo do tempo. E o amor se encheu de lembranças boas e de sentimentos maravilhosos, e disse à moça que sua lembrança ainda conseguia sentir aquelas sensações, os cheiros, os toques. E a moça teve saudade. E a saudade demorou mas logo veio, chegou cheia de mistérios e disse à ela que só iria embora com o tempo, que era seu grande aliado. Quando a saudade se foi, as coisas voltaram a ser boas, mas a moça sabe que logo ela voltará e fará tudo ser lembrado e sentido novamente.
E o amor ficou ali, lembrando de todas as passagens por aquele banco e tentando entender o que sentiu e o que faria depois disso tudo. 
Mas ainda faltava alguém, alguém que sempre resolveu tantas coisas, mas que estava dando a sensação que nunca ia passar. Era o tempo. Porém, ele já tinha passado e ainda estava passando por lá. Passou por todos os momentos, viu todas as visitas e guardou todas as palavras. Guardou tudo numa caixa que deixou ao lado da moça, o que se tornaria grandes lembranças. Passou ali tantas vezes que o amor nem percebeu, mas mesmo assim reclamou, dizendo que estava sentindo a falta da sua visita e que precisava de suas palavras para ponderar tudo aquilo que tinha escutado.
O tempo tinha lhe escrito, num papel que na caixa se encontrava, que não precisava ter sentado ao seu lado, mas que só precisava ter passado por ali e ter proporcionado todas aquelas sensações; que não precisava ser visível, mas sim perceptível. Foi assim que o amor sentiu que ele realmente tinha passado por ali, e tinha colocado algumas coisas em seus lugares.
É estranho como o amor sempre tem a sensação de não tê-lo encontrado, mas no final sempre sabe que foi visitado. E disse à moça que apesar de tudo o que tinham lhe falado, de todas as sensações vividas novamente, o único que deveria ali ser respeitado era o tempo. A moça fechou os olhos, pediu para que ele passasse depressa, que os pensamentos entrassem no lugar e que tudo mudasse a partir dali, mas foi quando o amor disse que nisso, só o tempo manda.
Eles entenderam que tudo o que ouviram faziam parte deles e que nada ali era desconhecido. Alguns eram bem-vindos, outros não, mas nenhum era um estranho. Entenderam que tudo era uma mistura, sem sabermos o porque das coisas.
Foi assim que a moça descobriu que não adiantava sentar e esperar as coisas passarem, mas sim lembrar das coisas ditas e feitas e saber o que fazer com elas, aliadas ao tempo. 
Ela se levantou, carregou o amor junto e todas suas lembranças, os olhos ainda tinham lágrimas, mas a sensação já era diferente e foi embora com todos os sentimentos possíveis e imagináveis, com a cabeça cheia de pensamentos, mas sabia que depois de tantas visitas, só precisava ter esperado uma delas passar...
...o tempo!
(Conto produzido em 29/08/11 para o 9º Unicult da Unimep)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Museu de Imagens do Inconsciente

(Texto publicado originalmente no extinto blog "Zine Pasárgada")

"A Arte como Terapia"
O Museu de Imagens do Inconsciente faz parte da história da reforma psiquiátrica no Brasil e exerce influência no processo de transformação dos métodos terapêuticos pelo mundo. Surgiu por meio do trabalho terapêutico da junguiana dra. Nise da Silveira em ateliê criado em 1946, no setor de Terapêutica Ocupacional do então Centro Psiquiátrico Pedro II. O museu foi fundado alguns anos depois, em 1952, e reúne uma coleção artística psicopatológica de cerca de 300 mil obras, sendo um centro vivo de estudo e pesquisa.


O site conta toda a história desse trabalho desenvolvido por Nise, além de mostrar grandes obras, serviços, agenda, textos, cursos e até as visitas feitas por Jung.

Este trabalho é muito desenvolvido com pacientes esquizofrênicos e portadores de distúrbios mentais. A arte é usada por muitos como processo terapêutico, e podemos ver que seus resultados são altamente satisfatórios. É através dessa sublimação que podemos chegar ao interno de um ser, e o inconsciente facilmente é representado por pinturas e desenhos.
O legal do site é promover a história de uma belíssima luta que se constitui pela Reforma Psiquiátrica e pela desinstitucionalização dos hospitais, e também de mostrar que a proporção da arte atinge níveis muito maiores do aqueles que imaginamos, pois ela não advém de nossa "realidade", mas sim, muito além disso. Ele também conta a trajetória de vida de cada autor que teve sua obra publicada, resgatando assim a essência de todos que colaboraram com essa bonita história.

O Museu fica no Rio de Janeiro/RJ e realiza exposições internas e externas, cursos, publicações e documentários que são apresentados em universidades e centros de cultura no Brasil e no exterior.
Vale a pena conferir!

[Autor: Fernando Diniz]
(Essa é alguma das muitas obras divulgadas pelo museu!)

Abç... Patrícia.

Há tantas violetas velhas sem um colibri...

"Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar.."

"Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo é assunto popular"


"No mais, estou indo embora..."

Algumas letras falam por si.