quinta-feira, 5 de maio de 2011

Aceitamos sugestões. Obrigada e volte sempre.

É engraçado perceber que a falta de assunto pode virar assunto.
Estou há dias procurando um bom tema tanto para este blog, como para o novo blog que também estarei escrevendo. Mas a minha inspiração sempre veio das situações vivenciadas no dia a dia ou nos assuntos emergentes que sempre nos entretem.
Embora muitas situações estejam prendendo a minha atenção nos últimos dias, como o casamento real, a morte de Bin Laden e até as discussões rotineiras do cotidiano, não consegui achar o tema privilegiado para tal publicação. Não ousarei a falar de Bin Laden, pois, ignorância assumida, não tenho conhecimento nenhum da política que envolve todo este assunto (infelizmente). E nem falarei aqui do casamento real, pois muitas revistas, jornais, sites, etc e tal já fizeram isso por mim. E não, não fui convidada para o casamento, como todos escreveram no facebook. Continuo sendo da plebe.
Por outro lado, toda esta falta de assunto, virou assunto! E senti vontade de escrever sobre essa falta, que virou sobra. Pouco, mas sobrou.
E vi também que não escrevo textos românticos, apesar de querer muito.
Percebi que gosto do questionamento, da crítica (positiva ou não), da informação, da filosofia e do blá blá blá. E assim eu fico sempre me questionando: Qual meu tema de hoje? E nada vem...
Isso até me fez sentir (um pouco, é claro) literária hoje. Mas mesmo assim minha procura continua.
Em todo caso, aceitamos sugestões. Obrigada e volte sempre.
Abç... Patrícia.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Até que a morte os separe!

No último sábado fui ao casamento de minha prima, e como sempre, os casamentos me intrigam. Sempre fico prestando atenção em tudo: na decoração, nos convidados, na estrutura da igreja e principalmente na pregação do padre.
Quando estamos dentro de uma igreja, seja ela de qualquer religião, o padre ou pastor está ali evidentemente para pregar os valores da mesma. Mas uma das coisas que mais me chamou a atenção neste último foi quando ouvi o padre dizer à minha prima que a partir daquele momento, deveria ter como primeiro lugar em sua vida a responsabilidade de fazer seu marido feliz e vice-versa.
A igreja, podemos assim dizer, foi a primeira "clínica de psicologia" instalada no mundo. O ato de confissão, nada mais é do que a exteriorização daquilo que nos está fazendo mal, e que precisamos extirpar através da fala. Mas não podemos esquecer que toda igreja tem a sua política.
Muito além daquilo que é dito na igreja, me permiti a ir mais fundo naquele dizer do celebrador. Pensei na grande dificuldade desta "ordem", pois vivemos num mundo onde encontramos uma grande dificuldade em fazer da nossa felicidade o primeiro lugar, quanto mais fazer isso para outro (diga-se de um modo verdadeiro). Esta é a problemática implicada nesta fala: tenho a dificuldade de encontrar a minha felicidade, logo, vou procurar ser a felicidade do outro, que se mostra mais simples de se alcançar.
Mas este infelizmente é o erro do relacionamento.
Quando não estamos felizes conosco, dificilmente conseguiremos fazer alguém feliz. Precisamos ter em mente que para um relacionamento ser sadio, a felicidade e o bem-estar precisam morar em nós, não em nosso companheiro. É dessa maneira que uniões se estabelecem e duram da melhor forma possível até o seu determinado momento, findo ou não.
Penso às vezes que muitas relações são desfeitas porque nos deixamos em segundo plano, nos esquecendo de nós mesmos e de nossos desejos, que continuam pulsando estando você com alguém ou não. Com isto, não conseguimos realizar aquilo que nos é destinado no matrimônio, e para nos separarmos não é mais preciso a morte, mas sim a falta desse olhar introspectivo.
Agora o grande desafio: como, cada um de nós, coloca isso em prática?
Abç... Patrícia.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Até onde vai nossa tolerância?

Após muito tempo sem escrever, não poderia deixar de falar sobre o atual massacre que aconteceu em Realengo na última quinta-feira. A história, todos nós já sabemos, embora a cada dia que passe, novas informações sejam divulgadas.
Todo este acontecimento gerou uma grande revolta no povo brasileiro, onde a indignação se estabelece por se tratar da morte de crianças que mal tiveram direito à vida. Ainda não sou mãe, mas imagino o sofrimento que todas estas estão passando neste momento, o qual sabemos que nem é necessário julgar ou quantificar.
Mas o que me traz aqui, e de volta, é o que coloco no título: "Até onde vai a nossa tolerância?".
O assassino Wellington já não está mais entre nós, não está mais aqui para dizer qual foi sua motivação para tal ato, e mesmo assim todos estão ditando seus motivos, procurando justificativas para amenizarem sua dor, diagnosticando e batendo o martelo no seu "perfil psicológico".
Sinto, cada vez mais, que o ser humano precisa que alguém seja mais maldoso ou mais maligno do que ele, que seja mais culpado do que cada um de nós somos. Porque todos nós somos culpados de alguma coisa: ou pelo aquecimento global, ou pelo abuso infantil, ou pelo sigilo de informações de pessoas que sofrem por espancamento, ou por simplesmente fecharmos os olhos para a fome, para a desigualdade e para todas as outras injustiças que são cometidas por nós, seres humanos.
Esquecemos também da grande injustiça que fazemos com nossas crianças: daquelas que são depositárias de todos os sofrimentos e neuroses de seus pais, daquelas crianças que pedem socorro em silêncio mas não queremos ter o trabalho de ouvi-las. Não podemos nunca nos esquecer que um adulto já foi criança, e é na infância que precisamos depositar todo nosso carinho, atenção, cuidado e educação. Não podemos nos esquecer que uma criança sofre, e sofre até muito mais do que nós, porque ainda não possui a facilidade de expressão que desenvolvemos com o tempo. Muitas delas sofrem sozinhas. Muitas delas sofrem por transtornos psíquicos, os quais encaixamos nos diagnósticos da atualidade, não procurando por ajuda. Não vamos a fundo, não vamos ajudá-las, não olhamos para elas e para nós (que podemos muitas vezes sermos responsáveis por esse sofrimento).
Mas não temos tolerância para isto, não estamos preparados para lidar com a culpa da nossa responsabilidade, temos a dificuldade de enxergar nossos erros, porque nosso ego não está preparado pra isso. Então agora vamos todos julgar o porte de armas e nos esquecer do referendo para o desarmamento que ocorreu em 2005 e a maioria (da qual posso me isentar) votou para que isso não acontecesse. Vamos nos esquecer da criança que está em nossa casa, precisando de ajuda, para chorar pela morte da criança da rua de trás, e lembrar dos nossos quando algo pior tiver acontecido.
E vamos mais uma vez passar por cima do luto de todas essas crianças, misturando a angústia com a alegria, fazendo uma festa à elas quando elas retornarem à escola, e assim ajudando na confusão de sentimentos e burlando o direito que todas elas tem de superar e entender o que é a morte, roubando-lhes então a tolerância para isto. E assim vamos construindo adultos iguais à nós, intolerantes.
E então lhe pergunto: Até onde vai a sua tolerância?
Abç... Patrícia.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A morte como vilã.

Desculpem-me o grande tempo que fiquei sem postar, mas a correria do cotidiano me consome.
Hoje retornei para escrever sobre a morte, o que pode soar muito negativo. Mas será que não devemos encarar a morte de uma outra maneira?
Não se pode negar que ela traz muita tristeza, sofrimento, saudades e um grande luto (que as vezes nos parece interminável). Mas será que todo esse pensamento em relação à morte não se deve ao grande sentimento de onipotência que o homem adquire sobre a vida?
Não aceitamos perder, da forma mais ampla possível. Não aceitamos perder um jogo, um emprego, um amigo, um amor, e quem dirá sobre perder alguém que está ao nosso lado... para sempre! Não conseguimos nos confortar com a situação de não ter mais um ente querido ao nosso lado, nos esquecemos que a morte é algo já determinado em nossas vidas, desde a hora em que passamos a existir. E por que será que o único fato pelo qual temos certeza na vida, nos traz tanto medo?
Muitas vezes deixamos que esse medo se sobreponha aos nossos valores éticos e morais. Até que ponto podemos lutar pela vida de alguém, e até ponto podemos decidir pela vida de alguém? Nos esquecemos que cada ser humano tem direito sobre sua vida e a maneira pela qual escolheu vivê-la.
O avanço da medicina nos fez acreditar que podemos prolongar a vida de uma pessoa até onde nos é conveniente. Esse avanço fez com que ignorássemos o desejo daquele cujo direito lhe pertence. Prolongamos cada vez mais a vida de alguém pelo simples fato de querermos a pessoa ao nosso lado. Somos dominados por um grande sentimento de egoísmo, não aceitando o sofrimento da perda, o que nos faz esquecer daquele que nos é próximo, cujo sofrimento possa ser maior que o nosso.
Este grande avanço que o homem proporcionou em todos os sentidos e áreas da vida, o fez acreditar que tem o poder sobre todas as coisas, inclusive da morte, o que felizmente não é verdade. Devemos passar a encarar a morte de uma outra maneira, pois só assim poderemos conviver melhor com ela. Devemos entender que não nos é permitido a imortalidade, e essa tão sonhada onipotência. Somos seres vivos, e como todos os outros, morremos. A vida para quem ficou, continua, lógico que com vários lutos para serem elaborados, mas não há como negar que após essa elaboração, nos fortalecemos muito mais para a vida, pois renovamos o sentido dela, e passamos (ou deveríamos) a encarar a morte como um fato irreversível, que é inerente ao ser humano.
O respeito ao próximo deve ser contínuo, e a lembrança de que cada um tem a livre escolha de como quer viver ou morrer também deve se manter constante. Embora a morte muitas vezes nos pareça injusta, para alguns talvez seja a melhor saída.
Então talvez devessemos nos familiarizar com este futuro que não nos foge, buscando viver da melhor maneira física e psiquicamente, pois só o agora nos pertence.
Abç... Patrícia.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O fim das brincadeiras.

Pensei nesse título por dois motivos. O primeiro é que minhas férias estão acabando, por isso então a idéia de"fim". E sobre as brincadeiras, é sobre o assunto que irei desenvolver, que acaba se encaixando com minhas férias também.
Nessas 4 semanas, algumas coisas me lembraram as férias de quando era criança. Consegui arrumar um super nintendo (SIM! daqueles da década de 90!) o que me fez ficar muito nostálgica e jogar bastante! (embora ainda não tenha o talento para tal). Engraçado ver o quanto um brinquedo represente para nós, o quanto ele acabe nos fazendo bem, mas não por ele, e sim pelo passado. O que acontece é que mesmo depois de uns dias o video-game das antigas perdendo a graça, pois afinal não temos mais tanto pique para essas brincadeiras, me fez demorar para desgrudar dele.
Me fez lembrar de muitos anos atrás, de amigas de longa data que ainda guardo comigo, e faz-nos então lembrar da essência do momento. É engraçado pensar o quanto nossa memória e nossos sentimentos são instigados a partir de um objeto.
Assim podemos ver,  mesmo que não percebendo, o quanto conseguimos guardar dentro de nós. Às vezes aquele sentimento tão antigo, nos volta à tona com toda força, mostrando que temos dentro de nós coisas que não poderíamos mais nem imaginar. Esse é o poder da mente humana.
Outra coisa que me fez pensar em tudo isso também foi o fato de ter assistido ao filme "Toy Story 3", e lembrado da pergunta de Calligaris: "O que fazemos com nossos brinquedos antigos?"
Acabei me lembrando de vários deles, dos quais gostava muito e o quanto significam para mim.
Parece que quando somos crianças, depositamos nos nossos brinquedos aquilo que hoje depositamos nas pessoas. Afetos, simpatias, alegrias, raivas, e o que mais podíamos depositar...
E é também o que fazíamos com aquele brinquedo que não nos interessava mais. Ele podia ter sido seu fiel amigo por vários anos, mas você acaba jogando-o fora. E passamos a fazer isso com as pessoas quando adultos.
É curioso ver a grande afeição das crianças em relação à objetos que para nós já não fazem mais diferença, mas consegui perceber que a relação de uma criança com o mundo começa a partir daí. E pensei também na grande falta de atenção que temos com isso.
Nunca vi uma criança que não gostasse de um brinquedo, mesmo aquela que não o pode ter.
Acho importante também olharmos para nós, e para aquilo que fomos na infância, na importância que dávamos aos nossos brinquedos, e qual a importância que damos àqueles que estão ao nosso lado hoje. Se eles eram especiais, ou éramos apenas crianças materialistas. Comparecem-se.
E é incrível não fazer tal comparação. Fiz uma logo no início, quando disse que um brinquedo que até hoje me dá uma sensação nostálgica maravilhosa me faz lembrar de amizades verdadeiras, e ao valor que dou à elas.
Abç... Patrícia.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Por mais um dia... com minha mãe!

Terminei ontem de ler um livro chamado "Por mais um dia". Ganhado no natal, enfim consegui lê-lo, porque nada melhor do que as férias para se conseguir ler um livro totalmente despreocupada.
O livro conta a história de um ex-jogador de beisebol, que após a decadência da profissão, a morte de sua mãe e a separação de sua família, cai numa grande depressão e tenta se matar. Após a tentativa de suicídio, sua vida inteira passa como um filme, e sua mãe volta para mostrá-lo a importância que sua vida tem.
O personagem lembra muito da relação que tinha com os pais quando era criança. Como admirava a mãe, mas ficava do lado de seu pai, pois o mesmo o ensinou que meninos ficam com os pais, e meninas com as mães. Pensou em todas as vezes que sua mãe ficava ao seu lado, e quantas vezes ele deixou de ficar ao lado dela, principalmente depois que seu pai foi embora de sua casa.
O livro me fez lembrar muito a grande teoria conhecida que é "O Complexo de Édipo", pelo grande amor que ele possuia pela mãe e que vai se dar conta na beira da morte. E também o grande fato da castração, quando "aprende" que meninos não ficam ao lado de sua mãe, e sim do pai.
É importante e bonito ver que o personagem se dá conta desse amor, e deixa de lado todas as coisas do passado para assumi-lo. Consegue enxergar a importância da mãe na vida de um filho, o quanto ela o ensinou, o protegeu e o amou.
Outro ponto importante foi conseguir descobrir que tudo aquilo que julgava estar perdido em sua vida estava perdido por atitudes propriamente dele! E que só ele poderia mudar as coisas, mostrando então o poder de nossas ações em nossa vida e o olhar oposto ao comodismo, ao achar que as coisas são porque simplesmente devem ser.
Indico a leitura justamente para essa reflexão: "O que minha mãe significa para mim?"
E um fato bem curioso que podemos perceber é que, nossa mãe é o ser mais desejado quando nascemos, e foi também o ser mais desejado pelo personagem na morte. Uma pessoa primordial nos dois momentos inevitáveis da vida.
Abç... Patrícia.

Livro: Por mais um dia
Autor: Mitch Albom
Editora: Sextante

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O (des)cobrimento da Tortura

Recebi de um amigo há algumas semanas atrás, um vídeo de um dossiê feito pela Globo News sobre os vários assuntos polêmicos que giram em torno dos anos do Regime Militar.
Este dossiê foi feito com um dos nomes mais atuantes no regime, o General Leônidas, responsável pelo DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna) do Rio de Janeiro e ex-ministro do Exército Brasileiro.
Acho importante a divulgação do vídeo, pois se trata do pronunciamento de alguém por detrás das cortinas. Acho importante também mostrar o que os militares falam sobre a tortura executada naqueles tempos.
O curioso é... quais torturas?
É muito forte a opinião por parte do militarismo que as torturas não existiam, mas denominam como a resistência dos subversivos ao governo. Fiquei impressionada com a negação do General perante aos fatos, o descaso com as várias vidas que foram tiradas, tudo minimizado numa questão de poder político.
Pode ser que o vídeo faça com que algumas pessoas mudem de idéia, e possam enxergar o militarismo como uma vítima também. Lógico que muitos militares também perderam suas vidas, lutando por aquilo que julgavam ser o ideal para o país. Mas acredito também que esse vídeo possa mostrar mais nitidamente o fato que mencionei em uma outra postagem, do qual os militares escondiam o que faziam, para manter a boa imagem. Foi assim que enxerguei este dossiê, como um documento que mostrou com uma grande força o poder imperativo que os militares possuiam (ficando bem claro quando ele diz "Não quero que nada do que eu digo seja cortado" e pela maneira como trata o jornalista) e ainda possuem, e a forte concepção de que tudo aquilo era uma bagunça.
E por fim ouvimos... "Nós vencemos. Esta democracia que existe hoje, existe porque lutamos por ela."
E fica a pergunta: Por qual democracia eles lutaram, se todas elas foram censuradas? E as torturas? Existiram ou não?
Abç... Patrícia.

Link: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1241580-7823-GENERAL+LEONIDAS+FALA+SOBRE+OS+ANOS+DO+FIM+DO+REGIME+MILITAR,00.html